Li o volume único de "As Crônicas de Nárnia" pela primeira vez e fiquei muito admirado com a profundidade desse livro chamado de infantil pelo próprio autor. Através dessa história temos uma visão geral do Evangelho (Com a parte da queda um tanto oculta) e podemos além nos divertir rindo a valer de algumas partes :) , tá, confesso que não concordei com toda a visão fornecida na história. Até porque sou Calvinista e C.S Lewis era Arminiano e outras diferneças de pensamento. Mas as histórias são muito belas!
Quanto a ausência de trechos de alguns livros como A Viagem do Peregrino da Alvorada e A Batalha Final aconteceu porque algumas das partes que eu achei mais belas só são belas assim no contexto do seu capítulo, então deixo ao leitor a sugestão de ler as Crônicas. :D
Então encerrando aqui
O Sobrinho do mago
“Agora que ela estava sozinha com as crianças, nem
notava a presença delas. Ela era assim mesmo. Em Charn, queria usar
Digory e não deu a mínima atenção a Polly; agora, que tinha tio
André nas mãos, pouco se importava com Digory. As bruxas em geral
são assim. Não estão jamais interessadas nas coisas ou nas
pessoas, mas na utilidade eventual destas. São de um espírito
prático implacável.”(Do
capítulo 6)
“Entre pelos portões de ouro ou não, Apanhe o meu
fruto para outro ou não. Aquele que roubar ou escalar os meus muros,
Encontrará desespero, junto com o desejo do seu coração.” (Do
capítulo 13, escrito Placa do jardim das árvores dos frutos dourados)
“...As crianças olhavam para a face do Leão enquanto
ele pronunciava essas palavras. De repente (nunca souberam como
aconteceu), foi como se a face de Aslam se tornasse um mar de ouro no
qual flutuavam; inexprimível força e ternura passavam por eles e
por dentro deles; e sentiram que jamais na vida haviam sido realmente
felizes, bons ou sábios, nem mesmo vivos e despertos, até aquele
momento. A lembrança desse instante permaneceu com eles para sempre;
enquanto viveram, se alguma vez se sentiam tristes, amedrontados ou
irados, a lembrança daquela bondade dourada retornava, dando-lhes a
certeza de que tudo estava bem. E sabiam que podiam encontrá-la ali
perto, numa esquina ou atrás de uma porta.” (Do capítulo 15)
O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa
“– Ah, é, fale de Aslam! – disseram as crianças
em coro. Pois, mais uma vez, tinham sido envolvidas por aquela
estranha sensação que lembrava os primeiros sinais da primavera, e
que parecia trazer notícias maravilhosas.
– Aslam?! – exclamou o Sr. Castor. – Então não
sabem? Aslam é o rei. É o verdadeiro Senhor dos Bosques, embora já
há muito esteja ausente. Desde o tempo do meu pai e do meu avô.
Agora chegou a notícia de que vai voltar. Neste momento mesmo está
em Nárnia. Ele dará um jeito na Feiticeira Branca, não se
preocupem. Ele, e não vocês, meus filhos, há de salvar o Sr.
Tumnus.
– E se ela transformar também ele numa estátua de
pedra? – perguntou Edmundo.
– Deixe com ele, Filho de Adão. Não é tão fácil
assim! – respondeu o Sr. Castor, caindo na gargalhada. –
Transformar ASLAM em pedra? Se ela conseguir manter-se em pé diante
dele, olhá-lo cara a cara, já é caso para dar-lhe os parabéns.
Não, não. Ele vem botar tudo nos eixos. Assim diz um velho poema
que costumamos cantar:
O mal será bem quando Aslam chegar,
Ao seu rugido, a dor fugirá,
Nos seus dentes, o inverno morrerá,
Na sua juba, a flor há de voltar.
– Quando vocês virem Aslam, hão de entender tudo.
– E chegaremos a vê-lo, um dia? – perguntou Susana.
– Mas é claro, Filha de Eva; foi para isso que eu os
trouxe até aqui. Vou guiá-los até ele.
– E ele é um homem? – perguntou Lúcia.
– Aslam, um homem! – disse o Sr. Castor, muito
sério. – Não, não. Não lhes disse eu que ele é o Rei dos
Bosques, filho do grande Imperador de Além-Mar? Então não sabem
quem é o rei dos animais? Aslam é um leão... o Leão, o grande
Leão!
– Ah! – exclamou Susana. – Estava achando que era
um homem. E ele... é de confiança? Vou morrer de medo de ser
apresentada a um leão.
– Ah, isso vai, meu anjo, sem dúvida – disse a Sra.
Castor. – Porque, se alguém chegar na frente de Aslam sem sentir
medo, ou é o mais valente de todos ou então é um completo tolo.
– Mas ele é tão perigoso assim? – perguntou Lúcia.
– Perigoso? – disse o Sr. Castor. – Então não ou
viu o que Sra. Castor acabou de dizer? Quem foi que disse que ele
não era perigoso? Claro que é, perigosíssimo. Mas acontece que é
bom. Ele é REI, disse e repito.” (Do capítulo 8)
O Cavalo e seu menino
“– Mas Corin é que será o
rei, pai - protestou Cor.
– Nada disso, rapaz - replicou o
rei Luna. - Você será o meu herdeiro. Cabe a você a coroa.
– Mas não quero a coroa - disse
Cor. - Prefiro muito mais...
– Não interessa, Cor, o que você
prefere. É a lei.
– Mas, se somos gêmeos, somos da
mesma idade!
– Nada disso - respondeu o rei,
rindo-se. - Um tem de vir primeiro. Você é mais velho do que Corin
vinte minutos. E mais ajuizado também, espero. - Olhou para Corin,
piscando.
– Mas, pai, o senhor não pode
escolher quem quiser para rei?
– Não. O rei obedece às leis,
pois as leis o fizeram rei.
– Puxa vida! - disse Cor. - Não
quero a coroa de jeito nenhum. Olhe aqui, Corin... a culpa não é
minha. Nunca pensei que acabaria passando a perna no seu reinado.
– Viva! Salve! - gritou Corin. -
Não tenho de ser rei! Não tenho de ser rei! Vou ser príncipe a
vida toda. Os príncipes é que se divertem!
– É ainda mais verdade do que ele
pensa, Cor - falou o rei Luna. - Pois ser rei é isto: ser o
primeiro em todos os combates e o último em todas as retiradas.
Quando houver fome no país (o que às vezes acontece nos anos
piores), o rei deve alimentar-se frugalmente, e rir mais alto do que
ninguém diante de uma refeição parca.”
(Do capítulo 15)
Príncipe Caspian
“ Lúcia concordou, toda
arrepiada, e quando se sentaram disse:
– Sabe, Su, acaba de me ocorrer uma idéia terrível.
– O que foi?
– Não seria medonho se um dia, no
nosso mundo, os homens se transformassem por dentro em animais
ferozes, como os daqui, e continuassem por fora parecendo homens, e
a gente assim nunca soubesse distinguir uns dos outros?”
(Do capítulo 9)
“– Foi bom ter vindo –
disse ele.
– Aslam, como você está grande!
– É porque você está mais crescida, meu bem.
– E você, não?
– Eu, não. Mas, à medida que
você for crescendo, eu parecerei maior a seus olhos.”
(Do Capítulo 10)
“– Compreendo, Senhor. Estava
pensando que gostaria de ter tido uma ascendência mais honrosa.
– Descende de Adão e Eva – tornou Aslam. – É honra
suficientemente grande para que o mendigo mais miserável possa
andar de cabeça erguida, e também vergonha suficientemente grande
para fazer vergar os ombros do maior imperador da Terra. Dê–se
assim por satisfeito.
Caspian baixou a cabeça.” (Do Capítulo 15)
A Cadeira de prata
“ – A
missão que me fez chamá-los aqui, fora do mundo de vocês.
– Jill ficou intrigadíssima,
achando que o Leão a tomava por outra pessoa. Não tinha coragem de
revelar isso, apesar de sentir que podia dar numa confusão medonha.
– Diga o que está pensando,
criança.
– Eu estava imaginando... quer
dizer... não está havendo um engano? Acontece que ninguém chamou
a gente aqui. Nós é que pedimos para vir. Eustáquio disse que
devíamos chamar... alguém... não me lembro do nome... e que esse
alguém talvez nos deixasse entrar. Foi o que fizemos, e então
encontramos a porta aberta.
– Não teriam chamado por mim se eu
não houvesse chamado por vocês.” (Do Capítulo 2)
“– (…) Uma palavrinha, dona
– disse ele, mancando de dor –, uma palavrinha: tudo o que disse
é verdade. Sou um sujeito que gosta logo de saber tudo para
enfrentar o pior com a melhor cara possível. Não vou negar nada do
que a senhora disse. Mas mesmo assim uma coisa ainda não foi
falada. Vamos supor que nós sonhamos, ou inventamos, aquilo tudo –
árvores, relva, sol, lua, estrelas e até Aslam. Vamos supor que
sonhamos: ora, nesse caso, as coisas inventadas parecem um bocado
mais importantes do que as coisas reais. Vamos supor então que esta
fossa, este seu reino, seja o único mundo existente. Pois, para
mim, o seu mundo não basta. E vale muito pouco. E o que estou
dizendo é engraçado, se a gente pensar bem. Somos apenas uns
bebezinhos brincando, se é que a senhora tem razão, dona. Mas
quatro crianças brincando podem construir um mundo de brinquedo que
dá de dez a zero no seu mundo real. Por isso é que prefiro o mundo
de brinquedo. Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam.
Quero viver como um narniano, mesmo que Nárnia não exista.(...)" (Do capítulo 12)
“ (...) Quando a polícia
chegou, não encontrou leão nenhum, nem brecha no muro, nem
baderneiros. Ali havia somente uma diretora que se comportava como
uma louca. Um inquérito foi aberto. Nesse inquérito surgiram cobras
e lagartos a respeito do Colégio Experimental; dez pessoas acabaram
expulsas. Depois disso, os amigos da diretora perceberam que ela não
prestava para diretora, e nomearam-na inspetora-geral. Quando viram
que ela não era também grande coisa como inspetora-geral,
conseguiram elegê-la para a Câmara dos Deputados, onde ela viveu
para sempre feliz.” (Do capítulo 16)
Espero que gostem ^^, se gostaram comentem, se vocês têm algum trecho que gostam e que eu não acrescentei comentem também! Até mais! ^^
